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Sábado, Agosto 09, 2008
Sobre o dorso
viscoço do putim
repousa um talher
Flocos de gordura
salpicam minha pele
Um mendigo com
os olhos apagados
me chama
fingo não vê-lo
flocos de poeira
untam o putim
penso no calor
do teu ventre
nas matizes dos teus pêlos
no abismo que sois
o talher penetra na
gelatina da padaria
fica lívido, meu talher
um óleo cálido unta
meus lábios e
recordo do meu azedo dia
Sábado, Agosto 02, 2008
Elias acordou às sete. Na realidade nem tinha dormido direito. Ficou meio insone por causa da entrevista às 10h no centro da cidade.
A mulher dele, Anita, percebeu isso e se incomodou. "Vê se descansa um pouco, homê.", disse a mulher antes de sair para o bico de costureira que arranjou em uma casa do Jardim São Paulo, em Limeira. Antes de sair, tomou o cuidado de colocar o sapato do marido no sol para secar. Durante à noite Elias havia colocado a sola do sapato que estava em vias de cair.
"Hmm ficou bom...", suspirou, "Coitado, tomara que dê certo dessa vez", disse em pensamento Anita antes de sair.
Elias suava na cama, estava tenso para a última etapa da entrevista. Preferiu cochilar um pouco para evitar pensamentos idiotas.
Anita chegou no trabalho e contou orgulha para a patroa que o seu Elias ia conseguir um trabalho. Não demorou muito e Elias chamou Anita na porta do serviço.
Anita ficou surpressa ao vê-lo. Depois de uma conversa ríspida, ela voltou para sala e desabou. O únco sapato de Elias havia descolado inteiro. "Nossa, mas ele não tem mais nenhum par de sapato, Anita?", perguntou a patroa. "Não senhora, era único par, coitado. E ele tem vergonha de pedir emprestado. Brigou comigo porque quis dar dinheiro para ele comprar outro. Ele muito teimoso, dona Lúcia".
Elias tinha duas horas para conseguir R$ 50 emprestados, comprar um sapato 42 e ir para entrevista.
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